O ENGANO DO AUTO-ENGANO

(O desabafo de um enganado)

 

Eu estava enganado

Ao pensar que podia ouvir sem praticar.

E engodado pela minha própria ilusão,

Passei a vida como um ouvinte superficial,

Desprovido de qualquer preocupação,

Buscando coisas nas quais me impressionar.

 

Eu estava enganado!

Ao achar que estava certo e jamais iria errar.

E seduzido por falsas e fúteis convicções,

Acabei caindo no poço do engano dos sentidos,

E até hoje carrego o peso das reações,

De ações loucas e impensadas

Que me fizeram o coração amargar.

 

Eu estava enganado!

Quando pensava ser algo que eu não era

E estribado na vaidade do meu coração

Fiz dos meus talentos, habilidades e dons

A ferramenta de busca da minha realização

Sem ao menos me importar

Se a minha motivação era ou não sincera

 

Eu estava enganado!

Quando pensava que não me faria mal

Andar com más companhias.

Mas acabei corrompendo as minhas convicções

E isso não aconteceu tão rápido eu diria

Foi uma concessão aqui, outra concessão ali…

E esse é o problema de uma vida banal.

 

Eu estava enganado!

Ao pensar que poderia ser um religioso

Sem ter que refrear a própria língua

Como um tagarela soltei palavras ao vento

Colocando a minha própria sorte a míngua

Porque palavras são sementes

E o resultado delas pode ser desastroso.

 

Eu estava enganado!

E o tempo passou tão de pressa

Com todas as ilusões e planos

De alguém que na vida foi tapeado

E iludido por seu próprio engano

De achar que não estava enganado

E que a realidade não era essa.

 

Ah! Como eu me enganei…

 

Autor: Eduardo Lopes de Aquino
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One Comment on “O ENGANO DO AUTO-ENGANO”


  1. Gostei do texto.
    Bom pra refletir e examinar com atênção a nossa prática cristã…


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